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Papiloscopistas elaboram projeto

05/11/07 - 09:19

Um projeto elaborado por duas papiloscopistas da Polícia Civil pretende atuar com crianças e adolescentes em situação de risco no Pará. O modelo a ser aplicado no Estado já existe na cidade de Santa Maria (RS), onde são atendidos menores carentes por uma empresa conveniada com a Polícia Civil gaúcha. Para conhecer o modelo, as policiais pretendem viajar àquele Estado até o final deste ano. O projeto é das papiloscopistas Maria Elizabeth Santos Teixeira e Íris Custódio Menezes, da Diretoria de Identificação da Polícia Civil do Pará.

IRISCUSTÓDIO_PAPILOSCOPISTAElas irão repassar aos coordenadores do projeto informações sobre a Dermatoglifia, método que permite obter informações sobre o potencial genético através da análise das impressões digitais. A Dermatoglifia é utilizada atualmente na teoria e na prática da orientação dos esportes modernos e da metodologia de treinamento. Elas estiveram em 28 de agosto deste ano na Universidade Castelo Branco (UCB), campus Recreio, no Rio de Janeiro, onde concluíram o curso de mestrado em Ciência da Motricidade Humana na linha de pesquisa de Dermatoglifia. As servidoras apresentaram as teses de mestrado orientadas por José Fernandes Filho, professor internacionalmente reconhecido.

PAPILOSCOPISTA_MARIAELISABETHElizabeth Teixeira (centro da foto ao lado e na foto abaixo) apresentou o trabalho “Características Dermatoglíficas de Portadores e Não-Portadores da Síndrome de Down”, enquanto que Íris trabalhou o “Estudo de Proporcionalidade das Variáveis Dermatoglíficas entre Adolescentes Infratores e Atletas de Diferentes Níveis de Qualificação Esportiva”. Na ocasião, as policiais civis receberam o título de mestres com louvor na presença dos professores Paulo Moreira da Silva Dantas, Paula Roquetti Fernandes e Estélio Dantas, que faziam parte da banca examinadora.

Segundo explicam as servidoras, apesar de não muito conhecido na área policial, o termo “Dermatoglifia” é utilizado há décadas na Medicina como um estudo mais aprofundado das impressões digitais. Segundo elas, a Papiloscopia se tornou o nome oficial da ciência para identificação de pessoas através das papilas dérmicas dos dedos da mão. “Os trabalhos de perícia com fragmentos de impressões papilares atualmente já conduzem os papiloscopistas a desenvolverem estudos, como a Poroscopia (estudo dos poros dos dedos), mas nem todos os Institutos de Identificação do país têm condições de realizar trabalhos dessa natureza”, garantem.

POTENCIALIDADES ESPORTIVAS

Elas ressaltam que hoje os estudos em Dermatoglifia se desenvolveram bastante e deram resultados significativos principalmente na área desportiva, contribuindo como grande aliada à detecção do potencial genético de um indivíduo, de doenças e de alguns perfis psicológicos. A ciência da Motricidade, em relação aos atletas, alia a coleta das impressões digitais a alguns testes físicos, com os quais os estudos revelam a presença de fibras musculares, correspondendo aos níveis de velocidade, coordenação e resistência, além de outras características. Após ser feita uma análise, o resultado é um processo de seleção e orientação esportiva.

Em outras palavras, após a detecção de suas potencialidades, o indivíduo poderá ser direcionado a um esporte condizente com suas características genéticas e obter mais sucesso esportivo. “Este aspecto é muito interessante quando se trabalha com crianças carentes na idade mais tenra, visto que, ao ser conduzido a um esporte adequado e dando-lhe motivação em fazê-lo, ela ficará afastada da seara da criminalidade ao voltar seu olhar a um futuro de vida melhor, ocorrendo assim o resgate social. Percebe-se, portanto, que a Dermatoglifia surge como mais um campo de atuação ao profissional em Papiloscopia, pois somente um especialista, com o conhecimento na área de identificação, poderá realizar a contento a perfeita análise das papilas dérmicas e proceder a um diagnóstico mais confiável”, afirmam.

A Dermatoglifia, atuando em conjunto com as demais áreas de ensino, proporciona assim mais uma forma de contribuir com a inclusão social, através do esporte e da sociedade de um modo geral. As papiloscopistas colocaram-se à disposição para posteriores esclarecimentos ou multiplicação de conhecimentos para contribuir ao crescimento da ciência da Identificação e para melhorar o nível de profissionalização de toda a categoria policial. Sobre o curso no Rio de Janeiro, as policiais falaram sobre a gratidão que sentem por tê-lo concluído, já que a atividade foi gratuitamente oferecida pelo Governo do Estado do Pará, através da Polícia Civil, que sempre buscam capacitar os servidores.