No Pará, a criação da Polícia Civil remonta ao período da fundação da cidade de Belém, no ano de 1616, quando da instituição da capitania do Grão-Pará. Nesse período, a direção militar e a autoridade policial eram exercidas pelos capitães-mores, os quais também exerciam as funções administrativas da colônia. Passados alguns anos, as atribuições policiais e judiciárias ficaram sob a alçada dos ouvidores, espécies de juízes com poderes investigatórios. Com a autonomia das províncias, o presidente podia nomear o chefe de polícia, delegados e subdelegados. Já os inspetores de quarteirões eram designados pelos delegados. Nesse período, houve a separação entre a Polícia e o Judiciário, como organizações distintas, bem como, a instituição do inquérito policial, agora sob o comando da Polícia Civil.

Em 1874, foi criada a guarda local para servir nos distritos. Era uma força auxiliar. Em 1876, o presidente extinguiu a guarda local e criou a guarda urbana, um corpo de Polícia Civil para o serviço policial da capital. No interior do Estado, em cada termo, havia um delegado, e nos distritos, um subdelegado, com atribuições de polícia ostensiva e judiciária. O corpo de polícia tinha um comando único e ocupava o mesmo prédio. Com a proclamação da República, em 1889, o chefe de Polícia passou a denominar-se chefe de segurança, tendo como auxiliares delegados, subdelegados, prefeitos, subprefeitos e agentes de segurança.

Pelo decreto nº 465, de 11/06/1897, o Presidente da Província do Grão Pará criou a Guarda Cívica e instituiu novos cargos de inspetor de quarteirão e chefes de seção, com a missão de policiamento da cidade. Pelo Decreto nº 2, de 27/10/1930, o então governador militar do Estado do Pará, coronel Landry Sales, criou o cargo de delegado militar, com função de vigilância e segurança pública. De 1930 a 1934 houve decretos que reorganizaram a estrutura da Polícia Civil. Foram dadas novas atribuições ao chefe de polícia, delegados, subdelegados, delegados auxiliares, comissários de polícia da capital e interior.

Por volta de 1955, tanto a Polícia Civil quanto a Guarda Civil ocupavam o mesmo prédio (na antiga Central de Polícia). Nessa época a Guarda Civil era responsável pelo policiamento ostensivo de rua, vigilância de presos e execução de mandados de prisão. Já a Polícia Civil era uma divisão composta por três delegados que tinham a função de proceder as investigações criminais. Nesse tempo, foram criadas a Delegacia de Homicídios, a Delegacia de Entorpecentes e a Delegacia de Crimes contra os Costumes. Além dessas três delegacias, existiam as subdelegacias de São Braz, do Umarizal e do Jurunas. Havia ainda os comissariados de Polícia dos bairros do Marco, da Sacramenta, da Cidade Velha e do Telégrafo.

Os delegados de Polícia não possuíam uma carteira funcional de identificação. O que os identificava era a ostentação de uma estrela de ouro no colarinho. Eles eram nomeados pelo governador do Estado e não recebiam qualquer treinamento para assumirem os cargos. A Secretaria de Segurança Pública expandia-se à medida em que a cidade crescia, sendo criada a Delegacia Marítima e Aérea, a qual tinha um contingente fardado e fazia o patrulhamento da orla marítima. Criou-se também a Delegacia de Trânsito, com agentes fardados que atuavam como sinaleiros. Por volta de 1960, foi instalada a Delegacia de Ordem Política e Social, com atribuições de investigar crimes políticos.