Polícia Civil do Pará será destaque em série de documentários exibidos em canal de tevê americano

Delegado Walter Resende concedeu entrevista

 

Miguel Pinheiro e Walter Resende concederam entrevistasA Polícia Civil do Pará será destaque de uma série de documentários sobre investigações de crimes passionais a serem exibidos em um canal de tevê dos Estados Unidos. Dentre seis casos escolhidos, em todo Brasil, um deles ocorreu em Belém, há quase dez anos. O caso Lilian Obalski foi investigado e esclarecido por policiais civis do Pará com a prisão do autor do crime em menos de 48 horas após o fato.

Nesta terça-feira, 05, a equipe de reportagem de uma produtora de São Paulo esteve na Delegacia-Geral, em Belém, para gravar depoimentos com os delegados da Polícia Civil do Pará, Walter Resende e Miguel Pinheiro, que participaram das investigações do assassinato. 

Atualmente diretor da Seccional Urbana da Pedreira, em Belém, o delegado Walter Resende respondia, à época do crime, pela Seccional Urbana da Cremação. Já Miguel Pinheiro era investigador de Polícia. O crime foi registrado em 2008. 

Delegado Miguel Pinheiro em entrevistaOs dois narraram aos documentaristas os acontecimentos que presenciaram durante as investigações do assassinato da jovem Lílian de Assis Obalski, 23 anos. Segundo o jornalista Gustavo Morais, da produtora responsável pelas entrevistas, os casos escolhidos para serem temas da série de documentários atenderam a três critérios para serem escolhidos. 

O primeiro é que o processo tinha que estar em trânsito em julgado (caso encerrado); não estar em segredo de Justiça e ter a fala da família da vítima. 

O caso de Belém foi escolhido para ser tema dos episódios pela equipe de pesquisa de produtora que escolheu ainda outros cinco casos de crimes passionais no Brasil registrados em Ilhota, Santa Catarina; em Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul, em João Pessoa na Paraíba e em Diadema e Santo André, em São Paulo. "Foi um dos casos mais rumorosos que investiguei em 25 anos de carreira policial", destaca o delegado, que já trabalhou em dezenas de Unidades Policiais na capital e interior do Pará. O autor do crime, Fábio Silva da Silva, foi preso 48 horas após o crime. O documentário será transmitido pela rede de televisão A&E em parceria com The History Channel Latin America.

CRIME A vítima Lílian Obalski, de 23 anos, havia terminado o relacionamento com o acusado Fábio Silva da Silva, estudante de Direito, que não aceitava o fim do namoro. De acordo com os familiares, o principal motivo para a separação do casal foi o ciumes obsessivo de Fábio Silva. O acusado insistia em reatar o relacionamento, chegando a telefonar para várias pessoas da família da vítima pedindo que o ajudassem a se reconciliar com Lílian Obalski. Segundo o delegado Walter Resende, que coordenou as investigações do caso, o crime foi todo premeditado por Fábio Silva. No fim da tarde do dia 09 de janeiro de 2008, o acusado foi até o apartamento de Lilian Obalski, no bairro do Jurunas, em Belém. Fábio Silva usava um boné para não ser reconhecido e subiu até o apartamento da vítima, no sétimo andar, e teve uma discussão com a vítima. 

Miguel Pinheiro, à época investigador da Polícia Civil, relatou que Fábio Silva arrombou a porta do quarto de vítima. O acusado teria imobilizado Lílian Obalski na cama e com um canivete multiuso assassinou a ex-namorada. De acordo com a pericia, o acusado golpeou Lílian Obalski oito vezes no pescoço. "A vítima tinha ferimentos nos braços e mãos mão, devido a tentativa de se defender dos ataques de Fábio Silva. Ela foi encontrada já sem vida pela babá das suas filhas, que acionou os familiares e a polícia. Ao chegar no local, os agentes se dividiram em duas equipes. Uma equipe se deslocou até a residencia de Fábio Silva, para tentar localiza-lo, como não o encontraram, os agentes permaneceram no local até o dia seguinte", explica Resende. 

Após dois dias, Fábio se apresentou na Delegacia com a intenção de livrar-se do flagrante, mas um mandado de prisão preventiva já havia sido decretado pela Justiça. Fábio Silva foi preso pelo crime de homicídio qualificado com a agravante previsto no artigo 61, da Lei Maria da Penha, pois a vítima era sua ex-namorada. Em depoimento, o acusado, de início, negou o crime e alegou ter agido em legitima defesa. Ele relatou que foi até o apartamento da vítima, no dia do crime, para tentar reatar o relacionamento, mas Lílian Obalski tentou agredi-lo com o canivete e logo depois se trancou no quarto. Fábio Silva disse ter arrombado a porta de quarto pois estava preocupado com a ex-namorada. Fábio Silva confessou o crime. Em julgamento, ele foi condenado a 18 anos de reclusão pelo crime.