Prossegue seminário do Programa de Fortalecimento das Polícias Judiciárias em Belém

SEMINÁRIO DO PROGRAMA DE FORTALECIMENTO DAS POLÍCIAS JUDICIÁRIAS. FOTOS LEANDRO SANTANA (ASCOM PCPA)

 

JORGE PONTES MINISTRANDO PALESTRAPOR LUIZ CLÁUDIO OLIVEIRA (ASCOM-PCPA) Prosseguiu, nesta quinta-feira (11), na Delegacia-Geral, em Belém, o seminário do Programa de Fortalecimento das Polícias Judiciárias (PFPJ), organizado pela Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com a Polícia Civil do Pará, por meio da Decor (Diretoria Estadual de Combate à Corrupção).

Pela manhã, por volta das 08:30, como destaque, ocorreu a palestra presidida pelo titular da Diretoria Ensino e Estatística (DEE) da Senasp, delegado da Polícia Federal Jorge Pontes, com o tema “Enfrentamento ao Crime Institucionalizado”. A palestra foi aberta a imprensa local. 

Durante a palestra o delegado da Polícia Federal Jorge Pontes, enfatizou sobre Crime Institucionalizado e delinqüência institucionalizada, na ocasião, citou as diferenças entre os tipos de crimes. “O crime ordinário é o crime comum, simples, já o crime organizado inclui a máfia, os chefes de facções e no crime institucionalizado, estão inseridos os chefes do poder executivo, do poder legislativo e do poder judiciarias. As estruturas são organizadas, agentes públicos são nomeados, nela nasce uma ação positiva de forma legal, sendo cometidos por atores nucleares, explicou, o delegado. 

Para Jorge Pontes, o “crime institucionalizado” é justamente o que ficou identificado a partir das últimas operações da Polícia Federal, ou seja, uma nova morfologia de se organizar para o cometimento de crimes, que difere do crime organizado tradicional e acadêmico.

“Depois do que vimos na operação Lava Jato, não podemos mais chamar esses esquemas de fraudes de crime organizado, e sim delinquência institucionalizada, pois não são cometidos por marginais, mais por atores nucleares, (pessoas que estão no núcleo do poder, político e econômico). Eles se utilizam-se das prateleiras do poder, de forma estruturante, para cometer os crimes e garantir a sua impunidade”. 

“Muitos deles têm o poder formal de indicar os nossos chefes, de indicar o chefe do ministério público, de aprovar leis que nos intimidam e até de nomear ou influenciar na nomeação dos magistrados que os julgarão”. Acrescenta: “Um chefe de uma organização criminosa demora 20 anos, para chegar no topo de uma organização, já um chefe do crime institucionalizado, basta ganhar uma eleição, que já chega no topo de uma organização, seja em uma prefeitura, seja no governo do estado ou na presidência da república”, destaca, pontes. 

Jorge Pontes foi encarregado do inquérito policial que investigou o caso do Dossiê Cayman e responsável pela elaboração e implantação das unidades de repressão aos crimes ambientais na Polícia Federal (PF). Foi superintendente da PF em Pernambuco, Coordenador Geral da Interpol, Adido em Paris e membro eleito do Comitê Executivo da Interpol em Lyon para o triênio 2009-2011. Pontes Publicou, em co-autoria como delegado federal Marcio Anselmo, o livro “CRIME.GOV – Quando Corrupção e Go-verno se Misturam”. Foi consultor especial para a série da NETFLIX “O mecanismo” dirigida pelo cineasta Jose Padilha. Atualmente é Diretor de Ensino e Pesquisa da Secretaria Nacional de Segurança Pública.